| |
A
VERDADEIRA, OFICIAL, LONGA HISTÓRIA DE FERNANDO ALVIM!
Este estupendo ser vivo, nasceu a 3 de Maio de 1974 no quarto 404 do hospital
de Mafamude em Vila Nova de Gaia e cedo se percebeu que tinha nascido
alguém especial quando, ao entregarem-no aos seus progenitores,
os médicos disseram em tom resignado “Fizemos tudo
o que pudemos!”
Fernando Alvim, teve a sua primeira namorada aos 5 anos (Graça,
onde estás?) e foi com essa mesma tenra idade que se inscreve na
escola de música “Teclado” onde rapidamente dá
nas vistas pela destreza com que toca xilofone e ferrinhos, de resto,
uma vocação tão grande que chegou mesmo a equacionar-se
um estágio do mesmo na estação de caminhos de ferros
das Devesas, precisamente, na agora cidade de Gaia.
Alvim, entregou-se à música da mesma forma que o fez em
relação ao Hóquei em Patins, onde sempre foi fiel
ao Fânzeres, clube que o acolheu desde as escolas e o viu progredir
vertiginosamente até atingir o escalão sénior. Escalão
Sénior? Com verdade, o aqui atleta apenas conseguiu chegar aos
juvenis mas a elevação com que praticava o desporto era
de tal modo que nos parece justo dizermos que merecia ter aí chegado.
Contudo, a sua carreira foi abruptamente interrompida pelo seu treinador
José Augusto
que ao perceber as suas prodigiosas capacidades insistia em reservá-lo
para o final de cada encontro, ao ponto de não raras vezes, o meter
na partida quando faltava apenas um minuto, muitas vezes, 30 segundos
para o fim do mesmo, o tempo suficiente para este entrar e cumprimentar
a equipa adversária com uma nobreza que chegava a emocionar a plateia.
Estávamos no ano de 1988, tinha 14 anos, já andava nas explicações
de matemática e o mundo inteiro estava descaradamente à
sua frente, sobretudo quando Carina, o provocava com repetidos olhares,
que nunca deram em absolutamente nada para seu absoluto infortúnio.
Desse ano, recorda a canção “Carina Carina”
que era interpretado por uma cantora italiana de má fama e o modelo
de então da Toyota, o célebre Toyota Carina.
Fui também com esta idade que Fernando Alvim conhece a rádio,
numa altura em que esta atravessava uma das suas melhores fases, o período
das rádios piratas, onde cedo se destacou, primeiro fazendo programas
infantis (“A hora das Traquinices” e o “Tapete Mágico”)
e mais tarde, como tapa buracos da estação, onde chegou
mesmo a apresentar discos pedidos e outros alegres derivados que o fizeram
crescer profissionalmente e chamaram a atenção da concorrência
e também da administração, que o deixa partir sem
reservas.
Aos 17 anos, assumia o seu radialismo de forma profissional quando entra
para a Rádio Press e ganha o seu primeiro salário pelas
suas emissões de fim-de-semana, entre as 07 e as 10 da manhã
e mais tarde, já de segunda a sexta, entre as 22 e a 01. Era o
tempo do Cais 447, do Mercado, da Indústria e o jovem de que agora
falamos descobria os prazeres da noite e também da carne, quando
é confrontado com a sua primeira ida ao talho para comprar, um
quilo de carne, bem tenrinho, da vazia, se faz favor.
O tempo passava, havia um homem a crescer dentro dele e o coração
batia mais forte. Era oficial, o amor explodia em cada palavra, em cada
gesto e os seus olhos aquosos denunciavam-no. Alvim estava profundamente
apaixonado, como se ligado a uma máquina- dizia-nos, e se dúvidas
houvesse sobre a demencial forma como se entregara a ela, todas se dissipariam,
quando numa bela tarde outonal de Novembro, lhe ligou para sua casa, revelando-lhe
o que sentia, cantando sem mácula “I just call to say I love
you” de Stevie Wonder.
O amor é cego e Stevie Wonder também, mas este sentimento
vê mais do que se pensa e a união durou 3 anos e meio, acabando
de uma forma triste, como qualquer história de amor. Durante esse
tempo, as coisas mudaram: a Rádio Press acabava e vendia os seus
emissores à TSF, a Rádio Energia aceita-o para um estágio
no Porto e não havendo condições para que fique,
a Rádio Nova Era contrata-o e atira-o para a frente: primeiro como
locutor de fim-de-semana, depois como animador diário e copywriter
da estação e também uma das principais figuras do
programa Terminal do Engate, indiscutivelmente, um dos programas de maior
sucesso que alguma vez apresentou.
A Nova Era apaixona-o de tal modo que a sua vontade em aprender mais sobre
a arte do copywriting o leva a desistir do seu curso de Gestão
Internacional e Exportação, onde já ia no segundo
ano, para se mudar para o de Engenharia Publicitária onde chegou
ao terceiro. Alvim não completa o curso e quebra a promessa que
tinha feito à sua mãezinha, porque quando já estava
na TSF há mais de um ano é convidado para ir para a Rádio
Comercial que então, iniciava uma nova fase, marcada pela música
rock que foi sempre o seu género preferido.
O convite é aceite e em apenas 3 dias tudo muda. Aos 24 anos, Fernando
Alvim vem para Lisboa deixando para trás o Porto, a faculdade,
a família, os amigos e até a namorada de então, que
também vai com as couves. Chegado aqui, a sua primeira casa é
em Massamá, um quinto andar manhoso, alugado por telefone onde
a senhoria lhe diz e passamos a citar: “tem uma óptima vista
para o mar!”. Os dias não estão fáceis e conhece
por sua vez os encantos da segunda circular, valendo-lhe a sua mota de
então, uma XT 600 que em apenas 3 meses gripou duas vezes por alegadamente
não ter óleo. Com verdade, a mesma mota que viria a ser
roubada por duas vezes de frente de sua casa, já em Campolide.
A primeira, recuperada depois de um desesperado apelo pela Rádio
Comercial onde a foi buscar ao Bairro da Boavista e a segunda, bem, não
falemos sobre isso.
Voltando atrás, fazendo rewind para o exacto dia em que entrou
para a Rádio Comercial e percebeu que a sua primeira actividade
seria informar os ouvintes sobre o estado das praias durante esse Verão.
A sua tarefa era esta, acordar de manhã e às 9.20 e às
16.15 e entrar em directo de uma praia qualquer da grande Lisboa para
dar conta das condições que se faziam sentir. Alvim mudou
3 vezes de côr nesse período e uma delas foi quando o convidaram
para um casting para a TVI para a apresentação de um programa
que se chamava “Top Rock” e que marcaria a sua estreia televisiva.
Um ano e meio de emissões, aos sábados de manhã,
que inicialmente foram apresentados com Pedro Marques, mais tarde com
a Mariana Amaral e na última fase, com Vanda Miranda.
É aqui que aparece o Curto Circuito, aqui mesmo e tudo muda de
novo na vida deste rapaz que entra para uma equipa de apresentadores onde
o esperam Rui Unas e Rita Mendes e à qual se juntam posteriormente
Patrícia Bull, Teresa Tavares, Irina Furtado, Pedro Ribeiro, Diogo
Beja, Carla Salgueiro, Bruno Nogueira, Solange F. e Rita Andrade.
Pelo meio, começa a apresentar com Nuno Markl o CineXL, um magazine
de cinema que ainda é transmitido na sic radical nos dias de hoje,
mas já sem as suas vozes, e também com Markl, o Perfeito
Anormal, uma ideia original sua, escrita numa só noite e aprovada
em pouco mais do que isso pelo director da estação, Francisco
Penim, o mesmo que o viu pedir-lhe dispensa do “Homem da Conspiração”
que apresentou durante 3 meses mas que decide abandonar por manifesta
falta de tempo.
Exactamente, o que ganhou para escrever “No dia em que fugimos
tu não estavas em casa” o nome do seu primeiro livro,
editado em Novembro do ano passado pela Quasi Edições, com
10. 000 exemplares vendidos e que se prepara para ser editado em Itália
no próximo ano numa sessão de lançamento que será
apadrinhada por Marco Bellini, que em Portugal ficou conhecido por ter
repetido até à exaustão que o segredo está
na massa. Exactamente o mesma frase usada pela famosa Dona Branca, a banqueira
do povo, que Alvim nunca chegou a conhecer.
Para o final, é importante revelar que foi ele que criou o Festival
Termómetro Unplugged e a revista
365 e que neste momento, para além de apresentar de
novo o Curto Circuito na Sic Radical, é igualmente apresentador
da Prova Oral (juntamente com Raquel Bulha) e do Topless na Antena3. O
primeiro, emitido diariamente entre as 19 e as 20 com repetição
às 6 da manhã e o segundo, aos Sábados, entre as
13 e as 14.
O seu bilhete de identidade, não deixa dúvidas: Segundo
o Arquivo Nacional
de Lisboa Fernando Alvim é o cidadão 102 44 230.
Çe ci n'est pas Le Fin!
|
|